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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

16.

                

                                   I

 Sempre a Mesma Coisa. Até Não ser.

 

 

É sempre a mesma coisa.

                Todas as noites eu sonho com o mesmo corredor à meia luz, seu papel de parede vinho, o chão de madeira escura e suas portas. Milhares de  portas. E ele parece se esticar infinitamente, como naqueles filmes de terror ou em ataques de pânico.

                No sonho, sempre me pergunto, pelo que me lembro, aonde vão dar todas aquelas portas… Se estão trancadas ou não… Se guardam coisas importantes, ou monstros, ou nada. Mas por algum motivo eu nunca tentei abri-las. Acho que é como se eu mesmo tentasse me dizer que  não deveria  ir a lugar algum, que  já estava onde deveria estar e que por mais que a curiosidade me sufocasse…estaria mais seguro não sabendo. E isso devia ser bem verdade, porque sempre, no fim, depois de andar por muito tempo, eu chegava à última porta. Ela era diferente. Todas as outras eram cinza… Essa era preta. E me lembro, vagamente, de sempre ter um número nela, mas não me recordo qual exatamente… Talvez… Seis… Dezesseis…

                Bem, não importa. De qualquer modo, ela se abria tão logo eu a tocasse e depois, nada. Exatamente, nada. Eu nunca chego a ver, realmente, o que há do outro lado. Apenas acordo com um susto e sempre logo antes de amanhecer.

                (Ele tira o maço de cigarros do bolso e, sem perguntar nada e esquecendo que não podia fumar ali, acende um. Abafando um riso nervoso, percebe pelo cigarro na mão que até então tremia e se pergunta porque. O sonho em si não era tão ruim, então porque ficara nervoso ao lembra-lo e relata-lo? Talvez fosse o que quer que estivesse do outro lado daquela maldita porta.  Não sabia se era o “não saber” ou se na verdade sabia e, o que quer que fosse, era tão horrível que preferia não se dar conta conscientemente.)

                O engraçado é que ontem tudo mudou. Quer dizer, nem tudo. O corredor era o mesmo, as portas as mesmas, as cores e eu andando. Mas todas estavam abertas, e eu podia ver cenas… Coisas acontecendo do outro lado delas .

                Não, não me lembro exatamente do que vi… Mas tinha algo de perturbador naquilo tudo. E no fim do corredor, onde antes só estaria a ultima porta preta, eu vi um homem… Uma sombra… Parada, e pude sentir que me encarava. E aí, acordei. Me sentindo mais calmo do que o normal, como se aquela presença fizesse sentido, de alguma forma.

                (Olhando suas mãos, percebe que a tremedeira passou. O cigarro, ainda quase intocado, soltava ondas de fumaça e por alguns segundos pareceu que o quarto inteiro estava embaçado.)

                Não sei o que nada disso significa. Mas uma frase, desde ontem, parece ficar cada vez mais forte na minha mente. “ Dizem que quando se dividem sonhos, divide-se também Universos”.

                (Tudo foi rápido demais. A fumaça que cobria o quarto se dispersou em um piscar de olhos, o cigarro acabou e o silêncio foi quebrado por uma voz que ele não ouvira até então. Até então, não se recordava de ouvir mais do que a si mesmo e seus pensamentos. Mas a voz vinha como um eco distante… mas dura.)

– onde… está?… CUIDADO…com…sonhos…eu…vejo…TE OBSERVANDO!… saia…AGORA!

 

(E tudo não passou de medo e escuridão.)

 

 

 

                                                                              II

Não Existem Certezas nos Sonhos, na Escuridão e nos Pensamentos.

 

                            “Nos sonhos, nunca se sabe como se chegou a determinado lugar, por mais que se imagine. Limitamo-nos a cumprir nossos objetivos, ou nos entregamos a qualquer loucura que se apresente como voar ou se deixar despencar de um penhasco.  

Na escuridão é quase o oposto; parece haver sempre um berro abafado em nossas mentes dizendo  “infernos, não importa como cheguei aqui! Como eu saio?” Mas nunca se sabe, realmente, como sair da escuridão. O pensamento não é linear. Apenas repetimos todas as opções racionais como tentar achar um interruptor que acenda uma lâmpada, ou achar uma porta que se abra pro que se espera ser uma tarde ensolarada.

E os pensamentos são como uma mistura de sonhos e escuridão. Não sabe-se a sua gênese certa, e isso nem importa. Até porque não sabemos como dar fim a eles, apenas temos a ilusão de que os calamos. E no fim, eles são tanto um “se entregar” a loucuras ou afazeres, quanto procurar soluções racionais para o que quer que seja.

Não existem certezas nos sonhos, na escuridão e nos pensamentos.”

 

Ele não sabia porque essa passagem que lera em um artigo de psicologia, de um professor qualquer, de uma faculdade pequena da sua cidade , fora a primeira coisa em que pensou quando abriu os olhos; Talvez fosse porque , observando agora o quarto onde acordara, sentisse um misto de familiaridade e estranheza. Quase como se ali fosse o seu próprio quarto, mas ele não se recordasse inteiramente disso.

 

 

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A  mais de dez Ciclos, no antigo Reino de Sobrinnia, diz a Lenda que existia um bobo da corte.

O nome de tal menestrel das tolices do mundo jamais ficou registrado, mas diz-se que ele era o melhor no que fazia; ser divertimento impensado, jamais considerado digno de mais do que risadas.

Em uma tarde, assim se conta, o Lugall da Província Ellendica necessitou que se encontrasse um livro antigo, quase totalmente esquecido.

O bobo, desprovido do que seria o bom – senso, se ofereceu para tal busca.

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Do alto de minha torre, que divido somente com traças e más lembranças, posso ver a cidade respirando sua decadência. As ruas cheias de testemunhas do que, realmente, significa “ruína”. E todos carregam algum tipo de  peso nos olhos, ou nos ombros.

O que outrora fora chamada “Cidade dos Mil Prazeres” não passa, hoje, de uma cidade sem nenhum nome. 

E aqui, nesta torre que ja foi chamada de “Olho de Sellena”, uma homenagem verdadeiramente digna de nossa Deusa dos Céus, eu me quedo. Resoluto na tarefa que me foi dada, em parte por ter sido um pedido de um velho amigo, e em parte por não ter – me sobrado nada mais. Assim como a cidade, estou fadado ao desespero do acinzentamento e , por fim, do esquecimento. Mas se meu compêndio das Histórias do Mundo puder fazer alguma diferença, me valerei disso para acreditar em uma morte honrada.

                                                                I

No Ano Um, da Era dos Primeiros,os homens e mulheres , que viriam a ser reis e rainhas, regentes e governantes, não passavam de andarilhos. Sem posses, sem pátria, sem guerras à travar, eles possuíam tudo; o mundo, a verdadeira liberdade, do tipo que é cantada ainda hoje pelos bardos, e a capacidade incomparável de julgar o que realmente era valioso. E , acima de tudo, eles detinham o Conhecimento Esquecido, como dobrar a realidade ao seu bel prazer. Alguns chamaram isto de o Dom, outros ainda chamam de magia.

Foi nessa época que a companheira de Bannir, nosso primeiro Luggall, e fundador, lhe pediu que desse ao mundo uma prova do grande amor deles.

Ele dobrou a realidade, e tornou o céu totalmente arroxeado, porque sabia que essa era a cor que mais a agradava. E ela lhe disse que aquilo não poderia durar; pois o mundo é o mundo, e o amor , mesmo de seres tão poderosos quanto eles, jamais teria o direito de mudar isto.

Ele,então, usou sua Vontade para fazer com que todos dos primeiros dias soubessem o quanto ela era amada, e adorada, por ele. Mas ela tornou a dizer que aquilo não duraria; aquela era uma certeza pessoal, que jamais deveria ser imposta artificialmente, e os corações devem ser livres para acharem suas certezas sozinhos.

Por fim, ele ponderou por dias até que lhe ocorreu criar um jardim imenso,com mil flores, e apenas as  que ela mais adorava e que isto seria a prova de seu zelo do seu amor. E quando ele terminou, ela chorou apenas uma lágrima, e lhe disse: Eis um dos motivos pelos quais lhe amo. Mesmo que fosse um jardim imperceptível aos olhos, ainda assim me traria esta lágrima de felicidade. Mas nosso amor não se resume a mim, nem a ti. Ainda que pareça pedir demais, eu o faço ainda… construa algo para o mundo.

Ele, então, sem gastar mais de um segundo, teve a maior de suas idéias. Mas pediu a ela mais duas lágrimas de felicidade, essenciais ao que lhe ocorrera,e para isso se pôs a cantar a mais linda música jamais ouvida por mortais.

Ela chorou. E com as três lágrimas do seu maior amor,ele se pôs a construir a Cidade dos Mil Prazeres.

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Pensamentos.

Como você pode, realmente, me conhecer, se me compara com tudo que já viu antes?

Como isso é justo, se a única comparação que eu faço de ti é quando eu digo: ” jamais conheci alguém assim”?

Como eu posso ter uma chance , se meu jeito calado e pensativo é tão esquisito? E como eu calo meus pensamentos,se ele sempre fogem pra você?

Como eu te faço entender que muitos dos seus medos, são meus também? E que de receios somos ambos cheios?

E como eu posso te dizer que você já mudou tanto a minha vida, sem nem perceber,e que eu não espero nada de ti.

Mas que, mesmo agora, meu maior medo é que você saia dela?

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Ouvir Jethro Tull é mais do que ouvir, até porque eles sempre foram muito além de “fazer música”. Precisa-se sentir a melodia, cuidadosamente trabalhada, arranjada (ou melhor seria dizer “forjada”),precisa-se viajar na letra,e algumas vezes não tentar entendê-la,porque só assim pode-se compreendê-la. É como ouvir Pink Floyd, quanto à melodia e letra. Música clássica, sem a letra. É mais que ouvir, é “viajar”.

Todos têm aquelas suas músicas que vão muito além do normal,e são provadas com quase todos, ou todos,os sentidos. Uma delas, para mim , é Budapest,deles. É possível imaginar o ar morno das noites que ele descreve, sentir a melancolia e a nostalgia daquele homem, provar da leveza com a melodia calma ,sentir os aromas doces, talvez de perfumes variados,e , ainda com isso tudo, ouvir a flauta suave.

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Porque eu Te Amo

Te amo porque não tenho escolha,e não tenho escolha porque foi isso que eu escolhi.

 

Te amo porque tenho escolha até demais. Tenho um mar de mulheres que posso cortejar,amar ou não. Mas toda essa água guarda em si uma secura assustadora. Cada gota não significa absolutamente nada. E é só na sua chuva que eu consigo matar minha sede.

 

Te amo porque é nos teus olhos que eu consigo dormir,e são estes mesmos olhos que podem me fazer viver ou morrer. Te amo porque é verdade que só você pode me levar ao Inferno,tanto quanto é verdade que só você pode me salvar disso.

 

Te amo porque além de você,nada mais importa. Eu não preciso de nada além de você.

 

Te amo porque não sei explicar.

 

E no fim de tudo,tudo se resume a isso. Eu te amo.

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Talvez seja difícil entenderem este jeito tão singular que carrego. E talvez seja quase impossível entenderem a loucura que carrego dentro dos meus olhos,mas isso não vai impedir minhas mãos de desejarem o que desejam,meus lábios de dizerem o “que jamais deveria ser dito” e meus pés de irem aonde é “proibido”.

A covardia dos outros jamais vai impedir o berro da minha coragem,assim como essa mesma coragem jamais vai se deixar ser tão covarde quanto poderia.

Meu amor jamais fará sentido. Porque o amor,se têm coerência,não é mais amor. É ilusão.

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